Sánchez anuncia eleições a 29 de novembro após chumbo dos decretos da habitação

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou a 5 de outubro eleições legislativas antecipadas para domingo, 29 de novembro de 2026, após o Parlamento ter rejeitado dois decretos urgentes sobre habitação. Sánchez procura um apoio parlamentar mais amplo para concretizar o seu programa.
Na sua declaração oficial, afirmou ter informado o chefe de Estado e anunciou uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros para iniciar a dissolução do Parlamento e a convocação das eleições. O anúncio traduz a decisão política; a publicação do decreto formal é uma etapa distinta.
Duas derrotas na habitação
O Congresso dos Deputados rejeitou os dois diplomas a 2 de outubro. Segundo a agência EFE, o primeiro recebeu 172 votos favoráveis e 178 contra. Incluía proteções no arrendamento, restrições a determinadas compras de imóveis e incentivos fiscais para senhorios e inquilinos.
O segundo, centrado na renovação automática dos contratos de arrendamento, foi chumbado por 184 votos contra e 166 a favor. PP, Vox e Junts opuseram-se aos dois decretos. Os resultados mostraram as dificuldades do Governo em aprovar a sua política de habitação num Parlamento fragmentado.
O confronto reflete também respostas distintas para a crise da habitação. O Governo defendeu as medidas como proteção para os inquilinos. O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, acusou Sánchez de utilizar o tema para manobras eleitorais e exigiu a marcação de eleições. Estas são posições políticas, não conclusões demonstradas sobre os possíveis efeitos dos diplomas.
À procura de uma maioria mais ampla
O Governo minoritário do PSOE e do Sumar tem dependido de apoios externos à coligação. No discurso, Sánchez reconheceu objetivos por cumprir e sustentou que novas reformas exigem uma maioria progressista maior.
A aritmética parlamentar será, por isso, central. Um apoio eleitoral renovado não determina, por si só, que partidos conseguirão acordar uma maioria de governo. O anúncio também não define a composição de uma futura coligação.
O que acontece a seguir
O calendário publicado pela EFE prevê a publicação do decreto eleitoral no boletim oficial a 6 de outubro e uma campanha entre 13 e 27 de novembro, antes da votação de dia 29. São os prazos anunciados e os procedimentos previstos, sem afirmar que o decreto já foi publicado.
A habitação é a questão imediata por detrás do confronto parlamentar. O resultado das eleições poderá influenciar o rumo político mais amplo de Espanha, mas o anúncio, por si só, não estabelece qualquer mudança na política externa.



