Eleições em Israel: faltam sete cadeiras a Netanyahu

Atualizado em 28 de outubro de 2026. Retrato dos resultados às 13:00, no horário de Israel.
O Likud de Benjamin Netanyahu lidera a apuração das eleições em Israel, mas seus atuais parceiros não lhe garantem maioria. As projeções mais recentes dão 54 cadeiras ao seu bloco, 49 ao principal bloco de oposição de Gadi Eisenkot e outras 17 à Lista Conjunta e ao Ra'am, somados. A maioria no Knesset, que tem 120 integrantes, exige 61 cadeiras.
O quadro imediato é de um Parlamento dividido. Netanyahu precisa de mais parceiros. Seus adversários somam cadeiras suficientes para superá-lo, mas transformar essa soma em governo depende de acordos que ainda não foram fechados.
Quase 5,7 milhões de israelenses votaram
A Comissão Eleitoral Central informou que 5.695.682 pessoas haviam votado até o horário oficial de encerramento na terça-feira, 27 de outubro, entre 7.331.981 eleitores aptos. A participação chegou a 77,7%, o maior índice registrado no fechamento das seções eleitorais desde 2001.
Isso representa cerca de 7,1 pontos percentuais acima do índice observado no mesmo momento em 2022. O número ainda é provisório: eleitores que já estavam na fila quando as seções fecharam, às 22:00, puderam votar depois.
A forte participação terminou em uma noite sem definição. Segundo a Reuters, as pesquisas de boca de urna atualizadas da Kan e do Canal 13 mostravam os dois principais blocos empatados com 51 cadeiras cada. O Canal 12 dava uma pequena vantagem ao bloco de Netanyahu. O primeiro-ministro defendeu um governo nacional forte de direita, enquanto Eisenkot afirmou que os eleitores haviam rejeitado a continuidade de Netanyahu. Nenhum dos dois tinha os números para encerrar a disputa.
Às 12:35 de quarta-feira, o acompanhamento do Polimeter, baseado nos dados da comissão, registrava 4.421.561 cédulas contadas. O Ynet informou que a apuração havia chegado a 77,6% dos votos às 13:00. Cerca de 22,4%, portanto, ainda não estavam incluídos no total divulgado.
Como ficam os partidos e os blocos
O cálculo mais recente do Ynet, a partir da apuração parcial, apresenta a distribuição abaixo. São projeções provisórias baseadas nos votos informados até agora.
| Partido ou lista conjunta | Cadeiras projetadas | Agrupamento político |
|---|---|---|
| Likud | 27 | Bloco de Netanyahu |
| Yashar, liderado por Gadi Eisenkot | 22 | Oposição principal |
| Juntos, liderado por Naftali Bennett e Yair Lapid | 12 | Oposição principal |
| Lista Conjunta | 11 | Partidos árabes |
| Democratas | 8 | Oposição principal |
| Israel Beiteinu | 7 | Oposição principal |
| Judaísmo Unido da Torá | 7 | Bloco de Netanyahu |
| Shas | 7 | Bloco de Netanyahu |
| Otzma Yehudit | 7 | Bloco de Netanyahu |
| Sionismo Religioso e Zehut | 6 | Bloco de Netanyahu |
| Ra'am | 6 | Partidos árabes |
| Total | 120 |
Os aliados de Netanyahu somam 54 cadeiras, o principal bloco de oposição tem 49 e os partidos árabes, 17. Estes aparecem separadamente porque a oposição a Netanyahu não constitui um acordo para governar juntos.
A lista dos Reservistas e o Povo de Israel continuavam abaixo da cláusula de barreira de 3,25%, assim como outras listas menores. Por isso, ficariam fora do Knesset segundo o quadro atual.
Netanyahu ainda pode formar um governo?
Ainda existem caminhos possíveis, mas a apuração atual não lhe dá maioria com seus parceiros existentes.
Com 54 cadeiras, Netanyahu precisa de mais sete para chegar a 61. Isso exige uma melhora significativa no restante da apuração, novos parceiros políticos ou um acordo que garanta apoio parlamentar de fora do seu bloco. Liderar o maior partido não assegura automaticamente o cargo de primeiro-ministro: o presidente consulta as bancadas antes de atribuir a tarefa de formar o governo.
Eisenkot enfrenta outro obstáculo. Seu principal bloco de oposição tem 49 cadeiras. Somar as seis do Ra'am levaria o total a 55. Acrescentar também as 11 da Lista Conjunta produziria 66, acima da maioria necessária, desde que esses partidos concordassem em apoiar um governo.
A divergência é política. Antes da eleição, Bennett e Avigdor Liberman rejeitaram depender dos partidos árabes. Eisenkot deixou aberta a possibilidade de um governo minoritário, enquanto o líder dos Democratas, Yair Golan, apoiou a cooperação com o Ra'am. Essas diferenças afetam diretamente a capacidade da oposição de transformar sua força conjunta em poder.
Um governo minoritário também poderia depender de apoio externo ou de abstenções, sem que todos os partidos que o sustentam entrem no gabinete. Ainda assim, seria necessário um arranjo parlamentar viável.
As contas atuais apontam, portanto, para negociações difíceis.
Os votos restantes ainda podem mudar a divisão das cadeiras
Mais de meio milhão de votos em envelopes duplos eram esperados, segundo Elad Naveh, da Comissão Eleitoral Central. Eles incluem votos de quem compareceu a uma seção diferente daquela em que está registrado, especialmente soldados e reservistas.
A previsão era iniciar a contagem na noite de quarta-feira e continuar na quinta-feira, com possibilidade de avançar até sexta-feira. As Forças de Defesa de Israel informaram separadamente uma participação de 79,9% entre seus integrantes.
Essas cédulas entram no total nacional e podem alterar as fatias dos partidos, a superação da cláusula de barreira e a distribuição das cadeiras. Seu efeito depende da distribuição dos votos.
Mesmo depois de concluída a apuração, ainda haverá negociações de coalizão. O governo de Netanyahu que encerra o mandato continua em exercício até a posse de um novo governo. Permanecer como primeiro-ministro durante as negociações, portanto, não significaria por si só ter conquistado um novo mandato para governar.



