Parlamento Europeu analisa retirada de bandeira de Israel de memorial do 7 de outubro

A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, afirmou que estavam em curso procedimentos após a eurodeputada francesa Rima Hassan retirar uma bandeira de Israel de uma exposição em memória das vítimas do 7 de outubro. Hassan reconhece a retirada, mas nega ter danificado ou pisado a bandeira israelita ou a europeia.
O Parlamento Europeu está a analisar um incidente num memorial do 7 de outubro em Estrasburgo, depois de uma eurodeputada retirar a bandeira de Israel ali exposta. A presidente Roberta Metsola disse aos deputados na terça-feira, 6 de outubro, que o assunto estava a ser tratado com seriedade e de acordo com os procedimentos da instituição, segundo a AFP.
O incidente ocorreu na segunda-feira, 5 de outubro. A novidade de terça-feira foi a resposta institucional, estando previsto ouvir a versão de Hassan antes de qualquer decisão disciplinar.
O que Hassan reconhece e o que contesta
O gabinete de Hassan confirmou que a eurodeputada retirou a bandeira de Israel do respetivo suporte. Afirmou que a bandeira da União Europeia caiu em seguida porque ambas partilhavam a mesma base e a retirada de uma desequilibrou o conjunto, segundo a Euronews.
O gabinete negou que qualquer das bandeiras tivesse sido pisada ou danificada. Estas negações são relevantes porque a retirada reconhecida por Hassan não comprova todas as alegações feitas sobre o incidente.
O Israel National News noticiou que os assessores de Hassan descreveram a ação como um protesto contra a política do Governo israelita e negaram que tivesse como alvo as pessoas homenageadas pela exposição ou a sua memória.
O local era um memorial às vítimas do ataque terrorista liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. A intervenção envolveu, por isso, uma exposição dedicada à memória das vítimas, além de um símbolo nacional associado a Israel.
Metsola coloca a segurança e a memória no centro da resposta
Em declarações citadas pela emissora pública grega ERT, Metsola rejeitou a intimidação e os danos materiais como substitutos do diálogo parlamentar. Associou a resposta a uma responsabilidade mais ampla para com a comunidade judaica europeia, num contexto de crescimento do antissemitismo.
A sua mensagem foi que as comunidades judaicas devem poder reconhecer o Parlamento Europeu como uma instituição que também lhes pertence. Sublinhou ainda o direito da deputada em causa a ser ouvida. Proteger um memorial e seguir um processo disciplinar foram duas componentes da resposta que descreveu.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Sa'ar, condenou o incidente e agradeceu a Metsola e aos deputados que se pronunciaram contra ele, noticiou a ERT, reproduzindo a sua declaração.
A análise está em curso, sem uma decisão final
A Euronews noticiou que a presidência do Parlamento estava a examinar elementos relacionados com o incidente e que não seria tomada uma decisão durante a atual sessão plenária. Uma eventual medida disciplinar continuava a ser uma possibilidade, e não uma sanção anunciada.
Esta distinção é importante para compreender a notícia de terça-feira. A direção do Parlamento comprometeu-se a dar resposta à conduta num memorial às vítimas, enquanto a sequência exata dos acontecimentos e as alegações contestadas continuam sob análise. O reconhecimento de Hassan confirma a retirada da bandeira, mas não resolve as questões separadas sobre a bandeira da UE ou eventuais danos.



