Aliados de Netanyahu defendem parceria com Eisenkot enquanto proposta de rotação ganha espaço

Reportagens descrevem esforços para mudar a próxima coalizão israelense, mas Eisenkot rejeitou governar sob Netanyahu e nenhum acordo foi comprovado.
Aliados do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu promovem a possibilidade de um governo de unidade com Gadi Eisenkot, enquanto pessoas próximas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levantam a ideia de um revezamento na chefia do governo, segundo reportagens da i24NEWS e do The Jerusalem Post.
As propostas enfrentam um obstáculo imediato: Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior e líder do partido Yashar, descartou publicamente servir sob Netanyahu, inclusive mediante um acordo de rotação. Nenhuma das duas reportagens estabelece que os dois chegaram a um entendimento.
Netanyahu apresenta uma coalizão com outros parceiros
A i24NEWS, citando o The Washington Post, informou que Netanyahu disse em conversas privadas com autoridades americanas e europeias que uma parceria com Eisenkot poderia permitir que governasse sem alguns de seus aliados de extrema direita, entre eles o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir.
A reportagem original se baseou em três pessoas a par das discussões. Ela descreveu o grupo de Netanyahu como defensor da ideia e Trump como receptivo, ao mesmo tempo que apontou divergências dentro do governo americano sobre a viabilidade dessa parceria.
Essa possibilidade já provocou resistência na própria coalizão de Netanyahu. Em outra reportagem, publicada em 26 de outubro, o The Jerusalem Post afirmou que Ben-Gvir acusou o Likud de tentar enfraquecer seu partido e preparar um governo de unidade que o deixasse de fora.
Uma proposta de rotação em Washington
Em análise publicada em 26 de outubro, o The Jerusalem Post informou que algumas pessoas do círculo de Trump estudavam um arranjo pelo qual Netanyahu permaneceria como primeiro-ministro durante o primeiro ano, antes de passar o cargo a um sucessor.
Os defensores da ideia relacionavam essa sequência aos esforços para avançar em um acordo de normalização com a Arábia Saudita antes do fim do mandato de Trump. Argumentavam que um governo sem Ben-Gvir e sem o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, teria mais espaço para conduzir a diplomacia regional.
O artigo não descrevia um cronograma acertado entre as partes. Informava que Trump não havia apoiado formalmente a iniciativa e que não tinham ocorrido conversas substanciais com Eisenkot ou outros dirigentes importantes da oposição sobre a fórmula proposta.
Também relatava que o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, havia negado a existência de um esforço americano para pressionar pela formação de um governo de unidade.
Eisenkot já rejeitou servir sob Netanyahu
Eisenkot respondeu diretamente à questão da rotação em entrevista à rádio 103FM em 21 de outubro, repercutida pelo The Jerusalem Post. Disse que não serviria sob Netanyahu mesmo que os dois dividissem o período à frente do governo, e que renunciaria caso um arranjo desse tipo se concretizasse.
Sua posição estabelece um limite político claro para as discussões. O interesse de aliados de Netanyahu ou de figuras americanas não demonstra que o possível parceiro israelense esteja disposto a participar.
Eisenkot já integrou um governo liderado por Netanyahu. Ele aderiu ao governo de emergência formado após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Sua recusa atual deixa claro que aquela participação não representa um compromisso de renovar a parceria.
A experiência anterior continua sendo um obstáculo
A questão da confiança surgiu antes das reportagens mais recentes. Em 26 de agosto, o The Jerusalem Post descreveu discussões entre integrantes do Likud sobre uma possível rotação entre Netanyahu e Eisenkot caso nenhum dos blocos políticos obtivesse maioria.
As conversas se concentravam no que Netanyahu poderia oferecer a Eisenkot e em como garantir que a transferência do cargo de primeiro-ministro efetivamente acontecesse. O jornal apresentou essas discussões como uma avaliação de cenários possíveis.
A referência era o acordo de Netanyahu com Benny Gantz em 2020. Aquele governo caiu antes de chegar a vez de Gantz assumir como primeiro-ministro.
Para quem tentar promover uma nova rotação, o desafio prático vai, portanto, além da distribuição de ministérios: será necessário um parceiro disposto a participar e um acordo que esse parceiro acredite que será cumprido.



