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Terrorismo

Documento do Hamas propôs transformar o caos em abrigos de Gaza em cobertura para fuga

Duas páginas em árabe da proposta do Hamas sobre centros de abrigo, com trechos destacados e notas manuscritas, em fundo escuro com o logotipo do Israel News Pulse.
Documento do Hamas sobre abrigos Aviso

Um documento interno do Hamas propôs criar caos entre os deslocados de Gaza para ajudar comandantes e integrantes do grupo a escapar das forças israelenses que se aproximassem. Explosivos ao redor dos centros de abrigo dificultariam o avanço. A desordem entre as pessoas abrigadas ali abriria outra oportunidade.

O documento de abril de 2024, publicado pelas FDI em 19 de outubro, traz os cabeçalhos das Brigadas Izz al Din al Qassam, o braço militar do Hamas, e identifica uma companhia de engenharia de sua Brigada do Norte.

Seu título descreve uma proposta para “garantir a segurança dos centros de abrigo”. Os trechos sobre evacuação esclarecem os movimentos de quem os planejadores pretendiam proteger.

As pessoas abrigadas e o pessoal que sairia

O documento distingue os civis deslocados dos dirigentes e demais integrantes designados para evacuação.

Para estes últimos, propõe rotas de retirada. Para as forças israelenses que se aproximassem, obstáculos e distrações. Os civis entram no plano em um trecho que descreve como a desordem entre eles poderia enfraquecer o controle israelense da área e permitir a saída do pessoal designado.

O trecho faz mais do que prever confusão durante uma operação israelense. Propõe provocar essa confusão deliberadamente.

Granadas de efeito sonoro ou pequenos artefatos explosivos atrapalhariam os planos da força que avançasse, enquanto produziriam desordem entre os deslocados. Essa desordem, explica o texto, prejudicaria o controle da área e facilitaria a evacuação.

O mesmo trecho especifica que os meios de distração não deveriam causar danos aos deslocados. Essa instrução faz parte do documento e importa para sua compreensão. Ainda assim, a vantagem militar pretendida continua dependendo de perturbar civis no lugar onde buscaram refúgio.

As pessoas abrigadas e o pessoal que sairia têm papéis diferentes na proposta. O deslocamento de um grupo seria favorecido pela confusão entre o outro.

Além do barulho e da confusão

Outros trechos introduzem um perigo mais direto ao redor dos abrigos.

O documento propõe explosivos em torno dos centros para atingir veículos israelenses que se aproximassem e atrapalhar um ataque. Outra disposição descreve explosões destinadas a distrair a força, desviar sua atenção e criar cortinas de fumaça.

São funções distintas. Alguns artefatos dificultariam o movimento da força ou a atacariam. Outros tornariam mais difícil entender o que acontecia e manter o foco no objetivo.

A proposta também ultrapassa o terreno dos abrigos.

Edifícios próximos que soldados israelenses pudessem ocupar, ou que permitissem observar entradas e saídas, receberiam armadilhas explosivas. Rotas previstas de avanço israelense em direção aos centros conteriam outros dispositivos para dar um alerta e atrasar o movimento.

Em conjunto, as disposições descrevem um esforço para influenciar a operação antes que as forças israelenses chegassem ao objetivo. As vias ao redor, os edifícios próximos e a atividade no abrigo passariam a integrar a resposta.

Os preparativos de evacuação tratam do que o pessoal do Hamas faria com o tempo que essas medidas deveriam lhe proporcionar.

Preparar uma saída

O documento discute a preparação de rotas através dos limites dos centros de abrigo em direção a áreas designadas para retirada. Os usuários previstos são identificados como os dirigentes e o pessoal.

O objetivo é oferecer saídas que a força que se aproximasse não conhecesse antecipadamente.

Esse detalhe liga as disposições de evacuação às distrações. Atrasar um avanço daria tempo. A distração desviaria a atenção para outro lugar. A desordem entre os deslocados complicaria o controle da situação. As rotas preparadas dariam ao pessoal designado um caminho para sair.

A proposta é, portanto, mais ampla que uma lista de explosivos. Liga os obstáculos enfrentados pelos soldados israelenses à saída das pessoas que eles poderiam estar procurando.

Sob o título de garantir a segurança dos centros de abrigo, o texto descreve como proteger essa saída.

O que revela a expressão centros de abrigo

O termo árabe usado ao longo do documento significa “centros de abrigo”. Pode se referir a edifícios e instalações que acolhem deslocados, e não apenas a acampamentos de tendas.

Essa distinção dá contexto às referências a muros, casas próximas, entradas e saídas. O documento trata de locais de abrigo e de seus arredores, com características que poderiam ser usadas para dificultar a aproximação de uma força ou facilitar uma retirada.

Também torna especialmente importante a distinção entre civis e pessoal.

O documento não descreve toda pessoa dentro de um abrigo como membro do Hamas. Menciona separadamente os deslocados, os dirigentes e o pessoal designado para evacuação. O uso proposto da desordem entre civis se apoia justamente nessa separação.

As FDI disseram que o documento demonstrava a disposição do Hamas de colocar civis de Gaza em risco para proteger seus dirigentes e integrantes. As disposições publicadas descrevem preparativos militares ao redor de locais de refúgio, incluindo uma distração cujo efeito pretendido envolve os próprios deslocados.

A instrução de não prejudicar civis em um trecho não constitui uma garantia geral de que as medidas ao redor seriam seguras. A proposta mais ampla inclui explosivos, edifícios com armadilhas e perturbações perto de abrigos ocupados.

Um documento de abril de 2024

As FDI situam o documento em abril de 2024. Uma anotação manuscrita em uma página registra 29 de abril de 2024, embora sua finalidade administrativa exata não esteja clara.

As páginas contêm comentários manuscritos ao lado das propostas digitadas. As instruções finais pedem discussão com o comando do batalhão e mencionam a aprovação da brigada antes da entrega do conceito completo.

O material publicado registra as medidas propostas; não estabelece se foram implementadas posteriormente.

A importância do documento está, assim, na abordagem que apresenta para uma operação israelense prevista, na qual a área do abrigo serviria a vários objetivos militares ao mesmo tempo.

Eitan Fischberger destacou a divulgação no X, chamando atenção para os trechos sobre explosivos e desordem deliberada ao redor de civis deslocados.

O trecho mais revelador da proposta não exige inferências sobre uma operação posterior. Identifica a confusão entre pessoas que procuram refúgio como uma oportunidade e explica quem a usaria para escapar.

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