Wang Yi defende dois Estados em Baku e conversa separadamente com Herzog

O ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, reafirmou o apoio chinês a dois Estados em reunião de 15 de outubro, em Baku, com a chanceler palestina Varsen Aghabekian Shahin. Também manteve uma conversa separada com o presidente israelense Isaac Herzog.
As reuniões palestina e israelense produziram versões públicas distintas. O comunicado chinês destacou a manutenção da questão palestina na agenda diplomática; a versão da presidência israelense enfatizou Irã, seus grupos aliados e relações bilaterais. Os encontros não foram apresentados como uma negociação conjunta entre israelenses e palestinos.
A mensagem chinesa a Shahin
A versão oficial chinesa afirmou que Wang se opôs à marginalização da questão palestina e pediu apoio a uma solução de dois Estados. Na prática, essa posição prevê um Estado israelense e um palestino lado a lado. É uma política defendida por Pequim, não um acordo anunciado pelos participantes em Baku.
A agência palestina WAFA também situou a reunião entre Wang e Shahin à margem da Conferência sobre Interação e Medidas de Construção de Confiança na Ásia, conhecida como CICA. Sua versão descreveu discussões sobre a situação na Palestina e os vínculos com a China. Shahin participou como ministra das Relações Exteriores palestina, não como presidente ou primeira-ministra.
Herzog aborda Irã e seus aliados
A JNS, citando a presidência israelense, informou que Herzog discutiu com Wang ameaças do Irã e de seus grupos terroristas aliados. Relações econômicas, comerciais e culturais também estavam na pauta. A versão israelense publicada reuniu, portanto, preocupações de segurança e o relacionamento entre os dois países.
Em seu discurso na cúpula, reproduzido pelo Times of Israel, Herzog defendeu ampliar a cooperação diplomática e econômica com países asiáticos, rejeitando terrorismo e boicotes como base das relações regionais. O discurso público foi separado da conversa privada com Wang e não deve ser tratado como uma transcrição dela.
Por que as reuniões ocorreram em Baku
O gabinete de Herzog anunciou sua chegada ao Azerbaijão em 14 de outubro para uma visita de cerca de um dia e meio. O objetivo era participar da sétima cúpula da CICA, fórum asiático dedicado à cooperação e à construção de confiança. O Ministério das Relações Exteriores chinês também confirmou a participação de Wang na cúpula de 15 de outubro.
A programação israelense incluía encontro com o presidente azerbaijano Ilham Aliyev, reuniões bilaterais com outros dirigentes e um discurso ao plenário. A presidência descreveu a conversa com Aliyev como oportunidade de aprofundar a cooperação estratégica entre Israel e Azerbaijão. Também anunciou uma reunião com líderes da comunidade judaica azerbaijana.
O encontro internacional reuniu diferentes relações diplomáticas na mesma cidade. Isso não tornou cada conversa bilateral parte de uma mediação única. Os horários de publicação dos comunicados tampouco estabelecem a ordem exata das reuniões privadas.
Posições públicas não são um acordo negociado
A versão chinesa examinada da reunião com Shahin tratou de Gaza e de dois Estados sem mencionar o Hamas, o ataque de 7 de outubro ou o Conselho da Paz. As ausências descrevem o texto publicado; não provam que um assunto foi excluído da conversa privada.
O Israel News Pulse não conseguiu encontrar de forma independente um comunicado conjunto, um marco de negociação acordado ou uma versão verificada que sustentasse afirmações adicionais sobre pedidos de Herzog relativos ao Hamas ou ao Conselho da Paz. O resultado documentado é uma declaração de política chinesa e contatos bilaterais separados, não um novo acordo de paz.



