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Terrorismo

Três pessoas são indiciadas na França por ajuda a Gaza supostamente desviada para o Hamas

Caixas de papelão e pilhas de processos diante de um fórum neoclássico iluminado por refletores ao entardecer.
Caso de ajuda a Gaza na França Aviso

A promotoria francesa indiciou três pessoas ligadas a associações humanitárias por financiar uma entidade terrorista, o Hamas. Os suspeitos contestam as acusações, e ninguém foi condenado.

Os três são Faouzi Barika, presidente da associação Baraka, na região da Gironda, o irmão dele e Amel Oualid, que dirige a associação Ensemble C Mieux, no Loire. A promotoria nacional antiterrorismo da França confirmou as acusações: financiamento de empreendimento terrorista, abuso de confiança praticado por quadrilha organizada e lavagem de dinheiro ligada a esse abuso de confiança. A investigação foi aberta em abril, segundo a imprensa francesa.

O que o Tesouro dos EUA alega

Em 2 de outubro, o Tesouro dos EUA impôs sanções a Barika, Oualid, às duas associações deles e a Saleem Abdallah Saleem al Zaq, subcomandante de batalhão baseado em Gaza na ala militar do Hamas. O Tesouro alega que os três indivíduos arrecadaram mais de US$ 2 milhões para o Hamas entre 2020 e 2026, dos quais cerca de US$ 1,5 milhão depois do massacre de 7 de outubro de 2023. Afirma que as associações usaram apelos humanitários e criptomoedas, e que Barika e Oualid enviaram centenas de milhares de dólares em criptomoedas a al Zaq.

Como o dinheiro teria circulado

O Tesouro descreveu as associações como supostas entidades de caridade que diziam arrecadar dinheiro para ajuda humanitária a civis em Gaza. Segundo reportagens que citam a CoinDesk, a ala militar do Hamas orientou doadores a evitar o envio de fundos diretamente a partir de uma grande corretora e a passar o dinheiro por outros serviços antes de transferi-lo para uma carteira TRON. Analistas citados no Jerusalem Post observam que as sanções impostas pelos EUA não obrigam bancos franceses a congelar contas em euros e não identificam as carteiras da rede. A mesma reportagem diz que o site da Baraka ainda pedia doações por PayPal dias depois das sanções.

A posição dos suspeitos

Barika e Oualid contestam as acusações de financiamento, segundo reportagens que citam a Foundation for Defense of Democracies. O advogado de um dos suspeitos disse que seu cliente participou de arrecadações com finalidade exclusivamente humanitária. Pelo procedimento francês, ser indiciado significa que um juiz tem motivos para investigar; não é uma declaração de culpa.

Quem está preso

A mídia francesa informa que Barika foi colocado em prisão preventiva após decisão de um juiz de Paris nesta semana, enquanto Oualid e o irmão de Barika foram soltos sob controle judicial. Cinco pessoas foram detidas no total, e as demais não são nomeadas nas reportagens consultadas. Em paralelo, as autoridades dos EUA anunciaram a prisão de três homens nos Estados Unidos por causa da mesma rede.

O que continua sem resposta

Para os doadores, o caso gira em torno de uma questão específica: se o dinheiro doado para o auxílio a Gaza chegou ao Hamas. Os investigadores terão de provar isso, e provar quem sabia. O valor de mais de US$ 2 milhões é uma alegação do Tesouro dos EUA e não foi examinado por um tribunal francês. O Hamas é uma organização terrorista listada pela União Europeia, de modo que financiá-lo é crime na França, qualquer que seja a finalidade declarada do dinheiro.

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