Após investigar antissemitismo, comissão da Câmara cobra respostas de UCLA e UCSF

A Comissão de Educação e Força de Trabalho da Câmara dos Representantes ampliou o exame da formação médica na UCLA e na UCSF, cobrando explicações sobre suposta discriminação em admissões e contratações após suas investigações de antissemitismo.
Em comunicado de 15 de outubro, o presidente da comissão, Tim Walberg, citou a Escola de Medicina David Geffen da UCLA e a Universidade da Califórnia em São Francisco, UCSF. Os novos pedidos tratam de discriminação por raça e sexo. As duas instituições disseram à JNS que analisavam as cartas e haviam colaborado com a investigação.
Como a investigação se ampliou
Walberg abriu as investigações sobre antissemitismo nas escolas de medicina em agosto de 2025. A comissão afirma agora que esse trabalho revelou um conjunto mais amplo de práticas de admissão e emprego que exige exame.
As novas cartas descrevem “uma infraestrutura perniciosa mais ampla” que perpetua o antissemitismo e outras formas de discriminação. Essa é a avaliação da comissão sobre as evidências, não uma decisão judicial sobre as novas alegações.
No caso da UCLA, a comissão cita relatos de denunciantes sobre decisões de admissão e o uso de códigos postais para identificar a raça dos candidatos. Na UCSF, levanta preocupações sobre orientações para metas de diversidade em programas de residência médica e sobre como esses programas utilizam critérios padronizados de avaliação. As alegações dizem respeito a práticas e responsáveis específicos, não a todos os estudantes ou funcionários.
As conclusões do Departamento de Justiça
A comissão cita duas investigações distintas do Departamento de Justiça. Em 6 de maio de 2026, o departamento concluiu que a escola de medicina da UCLA utilizou intencionalmente a raça na seleção das turmas de ingresso de 2023, 2024 e 2025. A carta de conclusões se baseou em registros de admissão e outros documentos.
Em 22 de setembro, o departamento anunciou uma conclusão semelhante sobre a escola de medicina da UCSF. Alegou que a raça influenciava a progressão entre as etapas de candidatura e entrevista e que os candidatos brancos e asiáticos eram admitidos em proporção menor que os negros e hispânicos.
São conclusões administrativas do Departamento de Justiça sob o Título VI. O comunicado sobre a UCSF apresentou negociações como caminho para adequação à lei e, se necessário, ação judicial. Uma conclusão ministerial e uma carta do Congresso não decidem, por si só, um processo judicial.
A resposta das universidades
Em respostas anteriores publicadas pela Reuters, a UCLA defendeu, em maio de 2026, que seu processo de admissão se baseava no mérito. A UCSF contestou as conclusões do departamento em setembro de 2026 e disse avaliar cada candidato individualmente, priorizando a excelência acadêmica.
A escola de medicina da UCLA disse à JNS que entregou documentos e participou voluntariamente da audiência da comissão em julho de 2026. A UCSF afirmou ter colaborado com as solicitações desde agosto de 2025 e continuar comprometida com a resolução da investigação.
Ambas disseram estar analisando as novas cartas. A JNS informou que o prazo para entrega dos documentos e comunicações solicitados é 29 de outubro. Trata-se de um prazo documental, não de uma audiência pública ou sentença com data anunciada.
O que o Título VI protege
O Título VI da Lei dos Direitos Civis proíbe discriminação por raça, cor ou origem nacional em programas que recebem assistência financeira federal. As orientações do Departamento de Educação explicam que a proteção abrange estudantes judeus discriminados por ancestralidade compartilhada ou características étnicas reais ou percebidas.
A discriminação exclusivamente religiosa não é uma categoria autônoma do Título VI. Alegações de discriminação por sexo exigem uma base jurídica distinta. As regras da comissão permitem audiências de fiscalização e intimações obrigatórias; seus integrantes podem buscar respostas legislativas, enquanto a aplicação da lei e as decisões judiciais seguem procedimentos jurídicos separados.
O acordo anterior da UCLA tratava de outro caso
O acordo de 6,13 milhões de dólares anunciado em 29 de julho de 2025 encerrou Frankel contra os regentes da Universidade da Califórnia, ação sobre o acesso ao campus e a resposta da UCLA ao acampamento de protesto de 2024. Ele não resolveu a investigação de outubro de 2026 sobre as escolas de medicina.
O acordo incluiu pagamentos aos autores, honorários jurídicos e contribuições para combater o antissemitismo, além de uma ordem judicial permanente que protege o acesso ao campus. A própria UC especificou 2,33 milhões de dólares para oito organizações externas e 320 mil dólares para a Iniciativa da UCLA de Combate ao Antissemitismo.
A nova investigação volta a atenção para as decisões dentro das escolas de medicina. O próximo passo imediato é a resposta aos pedidos de documentos da comissão. As alegações sobre admissões, o acordo sobre acesso ao campus e a proteção de estudantes judeus mantêm seus próprios registros factuais e jurídicos.



