Salah Sarsour enfrenta deportação após decisão baseada em política externa

Um juiz de imigração de Chicago aceitou os fundamentos de política externa para deportar o presidente da mesquita de Milwaukee, mas rejeitou a acusação de mentira no pedido de residência. Seus advogados vão contestar a decisão.
Em uma decisão anunciada em 30 de setembro de 2026, Jayme Salinardi, juiz do Tribunal de Imigração de Chicago, considerou Salah Sarsour, presidente da Sociedade Islâmica de Milwaukee, passível de deportação dos Estados Unidos por razões de política externa. Seus advogados dizem que vão recorrer e pedir proteção contra a remoção.
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Assista ao vídeo no XPublicado em 08.10.2026O juiz rejeitou a alegação do governo de que Sarsour mentiu no pedido de green card. O Urban Milwaukee informou, citando seu advogado, que a ordem indicou Israel ou Jordânia como destinos. Ainda haverá procedimentos sobre proteção contra a remoção; a decisão não é uma condenação criminal nem um anúncio de deportação imediata.
Por que o governo pediu a deportação
O Departamento de Segurança Interna conduziu o caso com base em uma determinação do secretário de Estado, Marco Rubio. Uma ordem judicial federal de 18 de junho de 2026 reproduz o memorando de Rubio de 18 de junho de 2025, segundo o qual as atividades de Sarsour prejudicavam os esforços americanos contra o antissemitismo e o apoio a organizações terroristas estrangeiras.
Rubio citou o papel de liderança de Sarsour em uma organização que, segundo alegou, havia participado de atividades para fornecer recursos ao Hamas, designado organização terrorista pelos Estados Unidos. Essas são as alegações do governo. Sarsour nega irregularidades e diz que o processo tem como alvo sua defesa dos direitos palestinos.
A seção 237(a)(4)(C) da Lei de Imigração e Nacionalidade permite a remoção quando o secretário de Estado tem motivos razoáveis para acreditar que a presença ou as atividades de um estrangeiro possam prejudicar gravemente a política externa americana. A regra também incorpora exceções relativas a crenças, declarações e associações lícitas.
A controvérsia sobre o histórico em Israel
O Departamento de Segurança Interna também invocou condenações anteriores de Sarsour em Israel. Em sua reação à decisão, divulgada pelo Wisconsin Examiner, o departamento alegou que ele havia sido condenado por lançar coquetéis molotov contra casas de militares israelenses e comemorou o reconhecimento de que pode ser deportado.
Seus advogados contestam essa descrição e dizem que a condenação anterior envolvia pedras, não explosivos. Eles também negam os atos atribuídos a Sarsour em um caso posterior relacionado a armas e afirmam que suas confissões foram obtidas mediante tortura. A disputa migratória não resolve, por si só, essas versões conflitantes.
Residente há mais de três décadas
Sarsour é um líder comunitário palestino com green card e vive nos Estados Unidos desde 1993, segundo os documentos que apresentou à Justiça federal. Ele também integra a diretoria da organização American Muslims for Palestine. Os documentos afirmam que ele não tem antecedentes criminais nos Estados Unidos.
O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas, ICE, o prendeu em 30 de março de 2026. O juiz federal James Patrick Hanlon ordenou sua soltura em 18 de junho após considerar substancial a alegação de que a detenção era uma retaliação por manifestações protegidas pela lei. Ele permanece em liberdade enquanto o processo migratório avança.
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Assista ao vídeo no XPublicado em 03.04.2026Sarsour disse que continuará defendendo seu direito de se expressar e de permanecer no país. Em 1º de outubro, o Conselho de Relações Americano-Islâmicas pediu aos congressistas que o apoiassem, argumentando que deportá-lo por suas declarações violaria a Constituição.
Pedido de proteção e recurso
O advogado Patrick Taurel disse à Wisconsin Public Radio que o juiz concedeu 60 dias para solicitar proteção e que a equipe provavelmente recorrerá à Convenção contra a Tortura. Para isso, será necessário demonstrar a probabilidade de tortura no destino proposto.
A Associated Press informou um prazo de 30 dias para apresentar a notificação de recurso. Recursos migratórios geralmente são encaminhados ao Conselho de Apelações de Imigração; Taurel disse que, posteriormente, também seria possível uma revisão pelo Tribunal Federal de Apelações do Sétimo Circuito. Não foi identificada uma data confirmada para a próxima audiência nas reportagens consultadas para este artigo.



